quarta-feira, 24 de julho de 2013

Arcadismo - Aula

Crônica - Funcionária alegre é demitida.


Ela, no dia de hoje, estava muito feliz com algumas coisas que no decorrer dos dias havia acontecido em sua casa, pois o emprego novo havia lhe proporcionado comprar um jogo novo de cozinha, armários e mesa novos numa loja popular da região de São Paulo.
Há tempo que não se sentia tão bem, já que ultimamente havia passado por alguns problemas tanto profissionais quanto pessoais.
Acordou no dia de hoje às 5h da manhã; tomou uma chuveirada e um café preto forte, para acordar. Saiu pela rua ainda deserta e de pessoas dormindo em suas casas. Foi a caminho do ponto de ônibus mais próximo, como de costume. Lá esperou por 20 min até passar uma condução. Quando esta chegou, ela subiu, deu bom dia para o motorista e se sentou em uma das cadeiras, da frente mesmo. O ônibus ainda estava vazio porque São Paulo dormia.
Ela, não mediu esforços para começar a prosear com o motorista e contar sobre os seus dias que antecediam, começou a falar sobre sua felicidade e algumas das suas conquistas.
O motorista a acompanhava pelo retrovisor do ônibus, e com um sorriso demonstrava sua satisfação.
O percurso de casa até o trabalho, teve duração de 1h30min.
Já eram 6h30min da manhã, quando chegou na porta do trabalho. Aguardou sentada pelos donos do estabelecimento, que chegariam com as hortaliças e outros alimentos para fazer a comida, já que se tratava de um restaurante e tudo deveria estar fresquinho para os fregueses.
Ao ver o carro chegando e estacionando em frente ao estabelecimento, ficou feliz por saber que os patrões estavam bem e deu a eles o seu bom dia.
Em questão de segundos, ajudou a descarregar as compras do carro. Entrou no banheiro e foi colocar toda a roupa que lhe caracterizava como uma garçonete: blusa amarela, avental marrom até a altura dos seios, tênis preto e touca branca nos cabelos negros.
Olhou-se no espelho, achou que faltava algo em seu rosto, retirou da bolsa um batom rosa e passou pelos lábios, estava de boa aparência agora.
Começou o trabalho. Cortar as carnes, lavar os legumes e verduras, preparar os pratos mais demorados, temperá-los e coisa e tal.
Por volta das 11h30min da manhã, o restaurante de esquina e de bairro abria as suas portas e as pessoas começavam a entrar aos montes ou aos pingos. Foram pegando os pratos e se servindo em um esquema de self service, preparado por elas e por suas companheiras de trabalho.
Ela estava feliz e contando as suas colegas sobre o que havia sucedido em sua casa. Ria, sorria e trabalhava contente, com satisfação estampada no rosto. Agradecia a Deus por aquele emprego sempre que podia.
Já era 13h da tarde, ela feliz acabou se empolgando e rindo – em um tom um pouco alto para aquele ambiente – com uma das companheiras de trabalho.
A mulher do balcão, que era esposa do dono, e com propriedade, também dona do lugar, chamou o marido e disse:
_ Hoje ela está demais, está num contentamento, sorrisinhos e risos por todos os lados.
O marido não disse nada, apenas continuou fazendo a cobrança dos valores gastos pelos clientes.
No final do expediente, ela foi chamada por seus patrões em uma sala mais reservada, era o escritório daquele estabelecimento composta por uma mesa e duas cadeiras em lados opostos. Sobre a mesa, havia alguns papéis avulsos e uma quantia de dinheiro.

Ela não esperava, mas aquele momento seria sua despedida, e o motivo para sua demissão era ter se comportado de maneira alegre durante o trabalho.

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