terça-feira, 30 de julho de 2013

Entrelaço emaranhado

Não tenho cooperado muito
Não me certifiquei das coisas certas
Mas pude compreender todas as erradas
Não me livrei dos artifícios  tristes
Mas arrasei nos objetivos traçados
Não pedi você  em meus sonhos
Mas não me desfiz da sua imagem
Apenas tive como um pecado...
Portanto, por um obséquio, por um instante
Não quero mais uma lágrima e
Nem sorrisos falsos.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Frase do dia

""""Tenho me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entendê-las."""
Spinoza

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Arcadismo - Aula

Crônica - Funcionária alegre é demitida.


Ela, no dia de hoje, estava muito feliz com algumas coisas que no decorrer dos dias havia acontecido em sua casa, pois o emprego novo havia lhe proporcionado comprar um jogo novo de cozinha, armários e mesa novos numa loja popular da região de São Paulo.
Há tempo que não se sentia tão bem, já que ultimamente havia passado por alguns problemas tanto profissionais quanto pessoais.
Acordou no dia de hoje às 5h da manhã; tomou uma chuveirada e um café preto forte, para acordar. Saiu pela rua ainda deserta e de pessoas dormindo em suas casas. Foi a caminho do ponto de ônibus mais próximo, como de costume. Lá esperou por 20 min até passar uma condução. Quando esta chegou, ela subiu, deu bom dia para o motorista e se sentou em uma das cadeiras, da frente mesmo. O ônibus ainda estava vazio porque São Paulo dormia.
Ela, não mediu esforços para começar a prosear com o motorista e contar sobre os seus dias que antecediam, começou a falar sobre sua felicidade e algumas das suas conquistas.
O motorista a acompanhava pelo retrovisor do ônibus, e com um sorriso demonstrava sua satisfação.
O percurso de casa até o trabalho, teve duração de 1h30min.
Já eram 6h30min da manhã, quando chegou na porta do trabalho. Aguardou sentada pelos donos do estabelecimento, que chegariam com as hortaliças e outros alimentos para fazer a comida, já que se tratava de um restaurante e tudo deveria estar fresquinho para os fregueses.
Ao ver o carro chegando e estacionando em frente ao estabelecimento, ficou feliz por saber que os patrões estavam bem e deu a eles o seu bom dia.
Em questão de segundos, ajudou a descarregar as compras do carro. Entrou no banheiro e foi colocar toda a roupa que lhe caracterizava como uma garçonete: blusa amarela, avental marrom até a altura dos seios, tênis preto e touca branca nos cabelos negros.
Olhou-se no espelho, achou que faltava algo em seu rosto, retirou da bolsa um batom rosa e passou pelos lábios, estava de boa aparência agora.
Começou o trabalho. Cortar as carnes, lavar os legumes e verduras, preparar os pratos mais demorados, temperá-los e coisa e tal.
Por volta das 11h30min da manhã, o restaurante de esquina e de bairro abria as suas portas e as pessoas começavam a entrar aos montes ou aos pingos. Foram pegando os pratos e se servindo em um esquema de self service, preparado por elas e por suas companheiras de trabalho.
Ela estava feliz e contando as suas colegas sobre o que havia sucedido em sua casa. Ria, sorria e trabalhava contente, com satisfação estampada no rosto. Agradecia a Deus por aquele emprego sempre que podia.
Já era 13h da tarde, ela feliz acabou se empolgando e rindo – em um tom um pouco alto para aquele ambiente – com uma das companheiras de trabalho.
A mulher do balcão, que era esposa do dono, e com propriedade, também dona do lugar, chamou o marido e disse:
_ Hoje ela está demais, está num contentamento, sorrisinhos e risos por todos os lados.
O marido não disse nada, apenas continuou fazendo a cobrança dos valores gastos pelos clientes.
No final do expediente, ela foi chamada por seus patrões em uma sala mais reservada, era o escritório daquele estabelecimento composta por uma mesa e duas cadeiras em lados opostos. Sobre a mesa, havia alguns papéis avulsos e uma quantia de dinheiro.

Ela não esperava, mas aquele momento seria sua despedida, e o motivo para sua demissão era ter se comportado de maneira alegre durante o trabalho.

Humanismo - Aula

Classicismo - Aula

Barroco em Portugal

Literatura - Aula

Aula Trovadorismo

domingo, 9 de junho de 2013

Re.fle.xão

Há alguns dias, parei pra pensar o quanto nós, brasileiros, somos esforçados para sermos alguém na vida.
Comecei a reparar o quanto essa cidade, São Paulo, acorda cedo para fazer o pão, tirar o leite e alimentar vossas famílias. Não sei o quanto, talvez, eu não concorde com isso, pois as famílias deveriam ter mais tempo com os seus, ao invés de "viver tentando buscar  meios para ter ou ser alguma coisa".
A cada dia que passa, as pessoas ficam mais medíocres, capitalistas e sem solidariedade com o próximo.
Acho que deveríamos fazer um: PARA TUDO! tentarmos começar de novo, ter um renovo. Talvez, por ser um problema social, devêssemos cuidar mais das nossas crianças, retroceder, mas mostrar a elas que os idosos têm preferência no transporte público,  que quando o pai ou a mãe chama atenção, eles tem prestar atenção e acatar, mostrar que a sala de aula é um lugar de aprendizagem, educação, e que apesar  de cada um ter sua função, somos todos seres humanos e cidadãos.
Esta cidade que acorda cedo para dar o pão para suas famílias têm de ter dignidade para viver, talvez, mas só talvez, se todos pensássemos assim, teríamos uma chance a mais de nos fazer  livres, competentes e cheios de felicidade para aprender, ensinar e por fim, viver.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Poesia e música


Na poesia de Dom


Minhas poucas palavras, resumen-se nessa belíssima obra de Machado de Assis, Dom Casmurro.
Não há palavras para mencionar nada, só emoção é o que se guarda, se reflete e se pede.
As frases abaixo, pertencem a ele.

O senhor não consegue contar o que sou, nem quem fui
O resto é igual, só a fisionomia é diferente
O mundo se consome das pessoas que se perde
Aquela vida me parece despida de tantos encantos que achei
Não falamos nada, o muro falou por nós
Tive muitas outros dias melhores e piores, mas aquele encantou meu espirito     
Não me estragues o reboco do muro
Tudo que me aconteceu antes, foi a mim como um ensaio
Os anjos vieram perguntar os nossos    nomes para dá-los aos outros anjos que acabavam de nascer
temos de examinar as pessoas com quem podemos falar
Ande, peça, mande
Pedir peço, mas pedir não é alcançar
E ficamos ali somando nossas desilusões e temores
Eu seduzido pelas palavras dele
Quase lhe contei minha história
Ele veio abrindo a alma toda desde a porta da rua até o fundo do quintal
A alma da gente, como sabes, é uma casa
Não raro com janelas para todos os lados, muita luz e ar puro
Também há as fechadas e escuras, sem janelas ou com poucas gradeadas a semelhanças de conventos e prisões
Não sei como era a minha
Mas como as portas não tinham nem chaves nem fechaduras, bastava empurrá-las e empurrou e entrou
E cá ficou
Ela vivia alegre quando eu chorava todas as noites
Fiz meu coração bater tão violento que ainda agora posso ouvi-lo
O puro ciúmes, leitor das minhas entranhas
Vivia tão nele, dele e para ele que nunca pensei em haver outras

segunda-feira, 22 de abril de 2013

O que é a chuva?

O que é a chuva?
Gotas d'água que descem de cima
Que caem do alto de uma colina,
É efeito da natureza.

O que é a chuva?
É simplesmente liquido transparente
Translúcido, brilhante  e envolvente
É uma benção que faz brotar a semente.

O que é a chuva?
Efeito formado pelas nuvens
Água, simples, leve e clara
Em pureza se resume essa difícil charada.

Suellen R.

domingo, 21 de abril de 2013

Funções da Linguagem a partir do trabalho da Prof. Cintra



               Este texto apresenta uma resenha sobre o capítulo: Apontamentos sobre Linguística Funcional ou Funcionalismo Estrutural - Linguagem Verbal: Natureza e Funções da obra Elementos de Linguística para estudos de indexação ( 1983) de Cintra, em que a autora tem o objetivo de desfazer ideias errôneas à respeito da língua materna.
              A autora inicia seu texto afirmando que não existe falar certo ou falar errado, principalmente porque a fala é uma característica particular de cada um expressado através de uma linguagem. Cintra ainda afirma que toda língua é complexa e não inferior ou superior uma a outra, o que interfere ou determina são os falantes e suas culturas.
              Com estudos relacionados a Martinet, Cintra descreve o conceito atribuído as Variantes Linguísticas, além de citar seus estudos no campo da Fonética: Fonemas e Morfemas. A autora ainda explica que: todo o sistema é econômico, porque é gerado por duas articulações econômicas, ou seja, a partir de um radical é possível formas inúmeras palavras.
               O assunto, nesse trabalho, é abordado na integra, e deixa muito claro que para toda mensagem existe um emissor e um ouvinte, e que desde que tenha um contexto e um assunto, a mensagem pode ser enviada.
                A partir dos estudos elaborados por Jakobson, Cintra leva em consideração que toda mensagem tem uma função por parte do emissor, podendo estar carregada de tom apelativo, expressivo e emotivo.
                Cintra deixa claro, também, que cada indivíduo se faz emissor e ouvinte da sua mensagem, por ser capaz de compreender seus vários contextos de acordo com a sua intenção. Cintra, ainda, cita John Lyons, que faz uma critica à respeito do ponto de vista de alguns semanticistas sobre Função da Linguagem.
                Cintra cita duas funções expostas por Gilian Brown e George Yule, são: Função Transacional que diz respeito ao conteúdo e Função Interacional, que trata das relações sociais.
               A autora também aborda funções chamadas de Instrumental, Regulatória e Interacional, explicando e caracterizando cada uma.
              Cintra menciona, na finalização do seu texto, que entre as fases da criança até o adulto, há diferenças no nível da fala, pois no que diz respeito a linguagem, esta parte do primitivo ao complexo, e que, há diversas formas de se passar uma mesma ideia dependendo do contexto e da situação que o emissor e o ouvinte se encontram, além de completar dizendo que a fala é limitada e a língua não.
             Portanto, o texto exposto por Cintra, aborda a ampliação dos estudos sobre as funções da linguagem, e de certa forma, com uma linguagem mais simples, proporcionando uma visão mais ampla sob o assunto, além de ser um texto bastante agradável para se ler e compreender melhor sobre as Funções da Linguagem. Com certeza, proporcionará ampliação na aprendizagem daqueles que se interessam em se aprofundar na área da Linguística.

Estudando a Linguística a partir dos conteúdos da Anna Cintra


Este relatório consiste em uma resenha do texto: Do Estruturalismo à Linguística Textual organizado  por Cintra.
Anna Maria Cintra é graduada em Letras Clássicas pela PUC-SP e doutora em Linguística pela USP. Atualmente, é Reitora da PUC-SP e professora titular na mesma Instituição com um currículo completo e riquíssimo no que diz respeito a sua atuação. É autora de diversos artigos e livros, além de outras publicações bibliográficas.
Cintra, em seu texto, traça um caminho que vai do Estruturalismo até à Linguística Textual,  esclarecendo a importância e as diferenças entre o Estruturalismo e o Gerativismo, além de abordar : Texto e Discurso,  Análise do Discurso,  Análise do Texto e à Pragmática.
A estrutura do seu texto é bastante confusa, apesar de ter um vocabulário  simples. Seu texto é indicado a um publico que tenha interesse em aprofundar seus conhecimentos na área da Linguística.
Para embasar seu texto, Cintra apresenta estudos abordados na área da Linguística de Jakobson, Saussure, Troubetzkoy, Benveniste, Chomsky e Mainguenea.
De acordo com Cintra, os estudos da linguagem tiveram início com Saussure  no século XX, e então a linguagem se tornou uma ciência. A Língua, para Saussure foi conceituada através de Sistema, que recebeu o nome de Estruturalismo que significa uma abordagem.
De acordo com Cintra, Troubtzkoy contribuiu bastante para o estudo da Fonologia, diferenciando-a da fonética.
Cintra cita Chomsky como o “pai” do Gerativismo, uma nova corrente, que apresenta uma estrutura profunda da língua e inata entre nós. Chomsky afirma que o ser humano nasce com uma gramática própria e no decorrer do tempo  vai aperfeiçoando-a e desenvolvendo-a
Sobre Texto e Discurso, fica claro que antigamente, ambos eram considerados sinônimos, pois ambos cumprem uma função comunicativa. Numa concepção geral, Texto significa o tecido sobre o qual se constrói o discurso, e Discurso é o texto em construção, marcado pela sua argumentação e contexto. Cintra destaca a lexêmica e a dêiticas, além de explicá-las.




Mais adiante, Cintra ao falar da Análise do Discurso, apresenta a A.D. de linha America e a A.D. de linha Francesa, a qual opta para aprofundar os estudos, pois ela opera sobre o texto escrito, o que possibilita dar mais suporte para o texto acadêmico.
Sobre a Análise de Texto, Cintra fala que há divergências sobre qual área esse estudo deveria estar, mas num primeiro momento Texto é colocado como um aglomerado de frases, e num segundo momento Texto passa a ser um discurso, sendo texto uma materialização linguística e discurso uma materialização ideológica.
Para finalizar sua abordagem, Cintra menciona à Pragmática como um sistema que não pode ser analisado de forma isolada, mas sim num conjunto, avaliando a intencionalidade do autor e do leitor, além do seu contexto e situação.
Pode-se concluir, a partir do exposto por Cintra, que as vertentes são construídas uma pela outra, ou seja, à medida que uma para de dar conta do seu fator social outra surge e supri as necessidades daquela sociedade e período social, e que é de extrema importância abordar a língua em uso e não como sistema.

Estudando a Língua: Napoleão Mendes de Almeida


O seguinte texto consiste em uma resenha  sobre a obra História Entrelaçada 2, à respeito de Napoleão Mendes, por Patrícia Leite Di Iório e Maria Igrez Salgado de Mello Franco, ambas formadas pela PUC/SP.
Iório e Franco iniciam seu texto falando sobre a vida de Almeida, dizendo o quanto ele era purista e radical sobre a língua portuguesa. Apesar de Napoleão ter vivido em um período histórico bastante conturbado devido às crises econômicas e políticas, ele se colocou de maneira bastante critica e resistente em relação às mudanças ocorridas  na Língua, pois não concordava com o estudo da linguística, já que, talvez, teria de mudar toda uma ideologia para que viesse a se colocar, novamente, em um lugar privilegiado perante a sociedade.
Napoleão acreditava que as novidades linguísticas afastaria o brasileiro da língua – mãe, criando uma nova língua, um português “abrasileirado”.
Iório e Franco tinham, como objetivo em sua obra, ressaltar a importância que Napoleão e sua obra – Gramática Metódica da Língua Portuguesa  - teve dentro do seu contexto histórico, no século XX (1930 – 1945), e que apesar de ser bem tradicional e não ter estudos relacionados à linguística, é um livro bastante completo no que diz respeito à Lexeologia e à Sintaxe.
As autoras, para escrever sobre Napoleão, buscaram diversas fontes para embasar e realizar a análise sobre este consagrado professor, purista e filólogo. Também citaram estudos de Le Goff, Edith, Koerner, Asher e Matoso Câmara.
Como ponto inicial e referencial, usaram a Análise do Discurso para escrever sua obra. Pode-se verificar que se trata de um trabalho para um público específico, ou seja, indivíduos que tenham interesse em se aprofundar nos estudos da gramática.
Conclui-se, portanto, que o texto aborda as dificuldades do século XX, a importância da obra de Napoleão chamada Gramática Metódica da Língua Portuguesa naquela sociedade, e que hoje, apesar de estarmos no século XXI, a obra continua tendo um valor muito grande. Também  deixa bem claro a postura de Napoleão quanto à linguística, seu relacionamento com a sociedade  e mídia.
Suellen Romere da Silva Santos

terça-feira, 16 de abril de 2013

E o que é a vida pra mim?





É a tristeza que há no luar,
É a vibração positiva que me faz cantar.
É o sim dito pelo escolhido,
É o amar e não viver  escondido.
É o sonho a me iludir,
É o sim e o não a me confundir.
É o querer e deixar se encantar,
É você ao meu lado a me amar.
E o que é o amor pra mim?
É confuso, interrupto é sem fim,
É mais que querer você pra mim.
É estar ao seu lado sem você me ter,
É querer te amar e não poder.
É sofrer em silêncio por você,
É estar amarrada ao que me faz viver.
É te ver no deserto e não te achar,
É não querê-lo ao meu lado pra não chorar.

Autoria: Suellen Romere

segunda-feira, 15 de abril de 2013

E foi assim...




Você chegou de repente,
Em uma semana me fez vibrar.
E aquilo que parecia um sonho,
Como água rolou no mar.

Como pude me iludir,
E me deixar levar.
Por uma alma impura,
Pude me apaixonar.

Se arrependimento matasse,
Não sei onde estaria.
Gostaria que continuasse,
A nossa história de mentira.

Mas na vida infelizmente,
Tudo tem um final.
Cabe a gente decidir,
Se termina bem ou mal.

Autoria: Suellen Romere

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Minhas férias, pula uma linha, parágrafo - de Christiane Gribel


Um

O primeiro dia de aula é o dia que eu mais gosto em segundo lugar. O que eu mais gosto em primeiro é o último, porque no dia seguinte chegam as férias.
Os dois são os melhores dias na escola porque a gente nem tem aula. No primeiro dia não dá para ter aula porque o nosso corpo está na escola, mas a nossa cabeça ainda está de férias. E no último, também não dá para ter aula porque o nosso corpo está na escola, mas a nossa cabeça já está nas férias.
Era o primeiro dia e era para ser a aula de português mas não era porque todo mundo estava contando das férias. E como todo mundo queria contar mais do que ouvir, o barulho na classe estava mesmo ensurdecedor. O que explica o fato de ninguém ter escutado a professora gritando para a gente parar de gritar. Todo mundo estava bem surdo mesmo. Mas quando ela bateu com os livros em cima da mesa a nossa surdez passou e todo mundo olhou para ela.
Ela estava em pé, na frente do quadro-negro e ficou em silêncio, com uma cara bem brava, olhando para a gente.
Quando um professor está em silêncio com uma cara bem brava olhando para você, é melhor também ficar em silêncio com uma cara de sem graça olhando para um ponto qualquer que não seja a cara brava do professor.
A professora puxou a cadeira dela e se sentou.
Atrás dela, no quadro-negro, eu vi decretado o fim das nossas férias e o fim do nosso primeiro dia de aula sem aula. Estava escrito:
Redação: escrever trinta linhas sobre as férias.
Eu sabia que as férias de ninguém iam ser mais as mesmas na hora que virassem redação. É simples: férias é legal, redação é chato. Quando a gente transforma as nossas férias numa redação, elas não são mais as nossas férias, são a nossa redação. Perdem toda a graça.
Todo mundo tirou o caderno de dentro da mochila. Menos eu.
Eu fiquei olhando para aquela frase no quadro enquanto os zíperes e velcros das mochilas eram os únicos barulhos na sala. De repente as nossas férias ficaram silenciosas. Onde já se viu férias sem barulho?
Além do mais, eu tenho certeza de que a professora nem quer saber de verdade como foram as nossas férias. Ela quer só saber como é a nossa letra e se a gente tem jeito para escrever redação. Aqueles dois meses inteirinhos de despreocupações estavam prestes a virar trinta linhas de preocupações com acentos, vírgulas, parágrafos e ainda por cima com a letra ilegível depois de tanto tempo sem treino.

Dois

A turma inteira já estava escrevendo quando eu percebi que a professora estava só olhando para mim.
Quando um professor fica parado só olhando para você é porque você tinha estar fazendo outra coisa que não era o que você estava fazendo.
A outra coisa que eu tinha que estar fazendo era minha redação. Então eu puxei a minha mochila e peguei o caderno. É claro que minha mochila tem o fecho de velcro e que todo mundo olhou para mim quando eu abri. Só a professora que não olhou de novo porque ela já estava olhando antes mesmo.
Peguei a caneta. Eu nem sabia mais segurar direito a caneta. Escrevi:
Minhas Férias
Mas a letra ficou péssima e eu resolvi arrancar a folha para começar bem o meu caderno. E todo mundo olhou de novo para mim, até a professora que já tinha parado de me olhar.
Troquei a caneta por um lápis, porque se a letra ficasse horrível era só apagar em vez de ter que arrancar outra folha.
Coloquei as minhas férias lá no alto e bem no meio da página. Pulei uma linha. Parágrafo.
Minhas férias
Outro problema de transformar as nossas férias em redação é fazer os dois meses caberem nas tais trinta linhas. Porque se a gente fosse contar mesmo tudo o que aconteceu, as trinta linhas iam servir só para um dia de férias e olhe lá.
E aí você olha para o seu relógio e descobre que as trinta linhas, que pareciam poucas para contar todas as suas férias, viram muitas porque você só tem mais 15 minutos de aula para fazer a redação.
Começar as férias é a coisa mais fácil do mundo. Em compensação, começar redação sobre as férias é tão difícil quanto começar as aulas.
Fiquei me lembrando como é que eu tinha começado as minhas férias de verdade. Assim eu podia começar a redação do mesmo jeito. Mas eu comecei as minhas férias de verdade arrumando a mala para ir para a casa do meu avô. E agora só faltavam 12 minutos para terminar a aula. Em 12 minutos eu não ia conseguir arrumar a mala. Pelo menos não do jeito que a minha mãe gosta que eu arrume. Então decidi começar as férias de minha redação direto da casa do meu avô.
Minhas férias
Eu sempre adoro as minhas férias na casa do meu avô. Principalmente porque não tem aula.
Não. Talvez seja um começo de redação muito pesado para o começo das aulas.
Minhas férias
Eu sempre adoro as minhas férias na casa do meu avô.
Lá tem um campinho de futebol bem legal e uma turma de amigos bem grande.
Isso é perfeito porque um campinho sem uma turma grande não serve para nada. E uma turma grande sem campinho não cabe em lugar nenhum que não seja um campinho. A gente passa o dia todo jogando futebol e só para de jogar quando já está escuro e não dá mais para ver a bola. Então já é hora de jantar.
Depois do jantar, os meus melhores amigos da turma vão para a casa do meu avô e a gente pode continuar jogando, só que futebol de botão que não dá indigestão. Aí, a gente pode jogar até tarde porque no dia seguinte não tem aula. É por isso que férias é bom.
Achei que desse jeito a minha observação a respeito das aulas ficava mais sutil. Continuei.
Teve um dia que eu fiz um golaço. Não no futebol de botão, no de verdade.
O gol veio de um pase de craque do Paulinho que é o meu melhor amigo entre os meus melhores amigos da turma. Você sabe que para jogar futebol não adianta só ser bom de bola. Tem que ter tatica.
O Paulinho driblou um, dois e eu vi que ele ia passar pelo terceiro. Ele também me viu. Aí eu me enfiei pela esquerad e recebi a bola. Chutei direto. Eu fiz um golaço tão grande que furou a rede e estilhaçou em mil pedaços a janela do vizinho.
Deu a maior confusão porque enquanto a turma pulava o vizinho apareceu bravo com abola em baixo do braço e a mulher dele veio atrás. Eu tive até que parar com a minha comemorassão. Mas a mulher do vizinho que veio atrás dele falou para ele que criança é assim mesmo e que a gente estava só se divertindo e que ninguém fez aquilo de propósito. E era verdade mesmo porque a culpa nossa da rede ter furado. E aí acabou ficando tudo bem. O meu vizinho devolveu a bola, verificou a rede e disse que o meu gol foi mesmo um golaço mas que era para a gente tomar mais cuidado com as janelas da casa do lado.
O sinal tocou bem nessa hora. Eu nem contei quantas linhas eu tinha escrito porque não ia dar tempo de mudar nada mesmo.
Arranquei a folha e dei as minhas férias para a professora.

Três

Depois da aula de português vinha aula dupla de educação física. A maior sorte que se pode ter num primeiro dia de aula é ter aula dupla de educação física. Dá até para ficar contente de ter voltado para a escola. E dá até para acreditar quando a nossa mãe fala que essa é a melhor época de nossa vida, quando ela faz aquele discurso que toda mãe faz.
Discurso:
Aproveita, meu filho. Essa é a melhor época da sua vida. Ir para a escola é uma delícia. Quando você crescer vai se lembrar da escola e sentir uma saudade danada.
Minha mãe diz que é para aproveitar a escola porque depois que a gente cresce a gente fica cheio de problemas para resolver. Aí é que está. Eu ainda nem cresci e já estou cheio de problemas. Só no ano passado eu tive quer resolver 187. E não foi nem para mim. Foi para o professor de matemática.

Quatro

A semana passou bem rápido e quando a gente viu já era sexta-feira. Ter chegado a sexta-feira era ótimo. Agora só faltavam mais dezenove semanas para as próximas férias. A única coisa ruim é que na sexta eu tinha aula dupla de português e a professora ia trazer as nossas redações de volta.
Quando a professora entrou na sala eu tinha acabado de puxar o elástico do sutiã da Mariana Guedes. Agora a moda das meninas era usar sutiã por baixo da camiseta. E a nossa moda era puxar o elástico para o sutiã estalar bem nas costas delas. Eu corri e a Mariana Guedes me jogou uma borracha bem na cara. Mas a professora foi olhar para a gente só na hora que eu joguei a borracha de volta. E aquela Mariana Guedes ainda abaixou e a borracha passou bem perto dos óculos da professora.
A professora ficou me olhando de novo, igual no dia da redação, e então eu me sentei esperando uma daquelas broncas humilhantes no meio da classe. Mas a professora não falou nada.
Quando você apronta uma dessas e o professor não fala nada, não é porque o professor é um cara bem legal. É que o que vem pela frente é pior do que o pior que você imaginava.
O pior foi colocado bem em cima da minha mesa. As minhas férias, que tinham sido perfeitas para mim, não chegaram nem perto de terem sido boas para a professora. Elas voltaram cheias de defeitos. Faltou um esse no passe de craque do Paulinho, um acento na minha tática e a minha comemoração eu escrevi com tanta empolgação que acabou saindo com dois esses em vez de cê-cedilha.
E o pior do que eu imaginava foi o que ela fez com o meu golaço que estilhaçou em mil pedaços a janela do vizinho. Ela disse que “em mil pedaços” é um adjunto adverbial e que tinha que ficar entre vírgulas.
Eu olhei na Gramática e lá estava explicado que um adjunto adverbial é um termo acessório e a gente pode eliminar aquela parte da frase que ela continua a fazer sentido. Eu queria ver a professora dizendo para o meu vizinho que aqueles mil pedacinhos da janela dele eram só um adjunto adverbial.
E tem mais uma coisa: eu estava de férias. Era muito mais importante marcar o gol do que as vírgulas, concorda?
E as minhas férias ficaram assim:
Minhas férias
Eu sempre adoro as minhas férias na casa do meu avô.
Lá tem um campinho de futebol bem legal e uma turma de amigos bem grande.
Por que não substituir um bem por muito?
Isso é perfeito porque um campinho sem uma turma grande não serve para nada. E uma turma grande sem campinho não cabe em lugar nenhum que não seja um campinho. A gente passa o dia todo jogando futebol e só para de jogar quando já está escuro e não dá mais para ver a bola. Então já é hora de jantar.
não se consegue mais ver a bola
Depois do jantar, os meus melhores amigos da turma vão para a casa do meu avô e a gente pode continuar jogando, só que futebol de botão que não dá indigestão. Aí, a gente pode jogar até tarde porque no dia seguinte não tem aula. É por isso que férias é bom.
as férias são boas.
Teve um dia que eu fiz um golaço. Não no futebol de botão, no de verdade.
O gol veio de um passe de craque do Paulinho que é o meu melhor amigo (entre os meus melhores amigos) da turma. Você sabe que para jogar futebol não adianta só ser bom de bola. Tem que ter tatica.
O Paulinho driblou um, dois e eu vi que ele ia passar pelo terceiro. Ele também me viu. Aí eu me enfiei pela esquerda e recebi a bola.
Chutei direto. Eu fiz um golaço tão grande que furou a rede e estilhaçou, em mil pedaços, a janela do vizinho.
Adjunto adverbial
Deu a maior confusão porque enquanto a turma pulava o vizinho apareceu bravo com abola em baixo do braço e a mulher dele veio atrás. Eu tive até que parar com a minha comemorassção. Mas a mulher do vizinho que veio atrás dele falou (para ele) que criança é assim mesmo e que a gente estava só se divertindo e que ninguém fez aquilo de propósito. E era verdade mesmo porque a culpa não foi nossa da rede ter furado. E aí acabou ficando tudo bem. O meu vizinho devolveu a bola, verificou a rede e disse que o meu gol foi mesmo um golaço, mas que era para a gente tomar mais cuidado com as janelas da casa do lado.
Quanto e!
A professora não fez nenhum outro comentário sobre o que eu tinha escrito. Para ela tanto fazia se o meu gol tinha sido um golaço ou um frango do goleiro. Eu fiquei bem chateado. Ela tinha acabado com as minhas férias. Isso significava que era a terceira vez que as minhas férias acabavam numa semana só. Não podia existir nada pior do que isso na vida de um garoto de 11 anos.
Mas existia.

Cinco

No final da aula a professora me chamou na mesa dela. Eu tinha que fazer de lição para segunda-feira a análise sintática da frase: “Eu fiz um golaço tão grande que até furou a rede e estilhaçou, em mil pedaços, a janela do vizinho”.
Era o fim. As minhas férias já tinham virado redação e agora acabavam de virar lição de casa. E uma lição dificílima. Fazer análise sintática! Eu nem lembrava mais o que era isso.
Do jeito que as coisas vão, quando chegarem as minhas próximas férias eu não vou saber se é para ficar feliz ou triste. Eu vou falar “ah, não, férias me lembram redação e lição de casa” e ninguém vai entender nada.
Então eu pensei que ainda bem que amanhã era sábado. Eu já comecei a me lembrar que a turma do prédio tinha marcado pólo aquático na piscina. Peguei a minha mochila e saí correndo para não perder o ônibus para casa. Não me lembro se a professora continuou em sala ou não. Eu só me lembro que eu fui o último a sair.
O fim de semana me fez esquecer da escola e da primeira semana de aula, o que foi bom. O único detalhe é foi que eu também acabei esquecendo da lição de português. E na segunda de manhã eu tive que fazer tudo correndo quando cheguei na escola, antes de tocar o sinal.
Análise sintática já é uma coisa bem complicada quando você tem que fazer o exercício logo depois que a professora acabou de explicar como se faz. Imagina fazer depois das férias de verão quando você mudou da quinta para a sexta série mas nem se lembra como é que passou de ano.
Eu peguei o meu caderno e escrevi a minha frase.
Eu fiz um golaço tão grande que até furou a rede e estilhaçou, em mil pedaços, a janela do vizinho.
Depois eu fui escrevendo o que eu me lembrava que tinha que ter numa análise sintática.
Sujeito:
Predicado:
Objeto direto:
Objeto indireto:
Partícula apassivadora:
Isso era tudo o que eu me lembrava. Então eu comecei a escrever do lado de cada coisa dessas uma análise sintática. Pus lá:
Sujeito: O meu vizinho. Que é realmente um sujeito de meter medo apesar de eu achar que ele deve ser legal porque está casado há um tempão com a mulher dele que é bem legal.
Predicado: O meu vizinho de novo. Isso, se a gente colocar no meio dessa palavra a sílaba JU e então a palavra vira prejudicado porque ele foi mesmo o grande prejudicado dessa história.
Objeto direto: A bola. Nem precisa explicar por quê.
Objeto indireto: Eu. Porque a janela quebrou em mil pedaços por causa do meu chute mas na verdade foi culpa da rede que furou.
Partícula apassivadora: Essa era a mulher do meu vizinho que apassivou a briga e se você reparar como ela é pequena eu acho que partícula é o que ela é.
Pronto. Acabei a lição e o sinal nem tinha tocado ainda. Fechei o meu caderno. Depois eu abri de novo. Lembrei de mais uma coisa que tinha na análise sintática e escrevi:
Adjunto adverbial: em mil pedaços.
No final da aula de português eu deixei a minha lição na mesa da professora e fui para a minha aula dupla de educação física.

Sete

Na minha aula dupla de português da sexta-feira, a professora me entregou a análise sintática. Eu tirei zero e tive que escrever toda essa história contando tudo isso que aconteceu para você. Ela me disse que você é que ia decidir o que fazer comigo, porque você é o Diretor dessa escola e ela não sabia que atitude tomar. Foi isso.
Assinado
Guilherme Pontes Pereira
6a. série B – Manhã
No dia seguinte o Diretor me chamou na sala dele. Ele já tinha lido toda a história que eu escrevi e eu já estava pensando no que eu ia dizer para os meus pais quando ele me expulsasse da escola. Eu ia dizer:
- Mãe, pai, fui expulso da escola.
Eu entrei na sala do Diretor e me sentei na cadeira bem na frente dele. Quer dizer, na frente mais ou menos, porque era uma daquelas cadeironas que a gente afunda dentro, então o porta-lápis, que ficava na mesa do diretor, tapava a cara dele até o nariz. Mas ele chegou o porta-lápis para o lado e eu consegui olhar para ele bem de frente. E ele disse:
- Guilherme, eu fiquei muito impressionado com a história que você escreveu. Você precisa fazer mais redações.
Então ele me mandou de volta para a sala de aula.



Diário de uma dor de cabeça

25 de Março de 2013 às 20:10

Do lado esquerdo, o olho pesa, a cabeça dói.
Passa a mão pela testa, para de andar por alguns segundos e fecha os olhos.
Tem que trabalhar ainda por mais duas horas.
...
O olho não está melhor, a cabeça está latejando e os pés estão batendo descompassadamente no piso frio e sujo de uma sala. 
Vontade de não estar onde está... Vontade de descansar por alguns minutos... Vontade e desejo de no tempo poder mandar, dizer: Pare!
Alguns minutos se passaram.
Está aflita com o relógio, parece que o tempo diminuiu sua velocidade.
Começa a não mais suportar o peso do sono, que gerou a dor, que carregou o olhar e que ficou na cabeça.
Mas ainda assim, faltam alguns longos minutos para deste recinto se retirar, em casa chegar e no leito se derramar.
Boa noite!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Clarice Lispector sempre!


Há Momentos

Há momentos na vida em que sentimos tanto
a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre."

Clarice Lispector

terça-feira, 9 de abril de 2013

Dica de filme para hoje



O oitavo dia

O filme conta a história de um menino chamado Georges com síndrome de down, cuja mãe morreu, e um ocupado homem de negócios, divorciado e sem a posse das filhas. Ao se encontrarem acidentalmente,ambos acabam tendo uma amizade especial que causaram grandes mudanças em suas vidas.

Café da manhã com a turma do 3º Ano Médio




                                                                         







A escola também é lugar de diversão!! Foi maravilhoso o café da manhã. Espero que todos tenham gostado.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

E isso é o amor!

E o que é o amor?? É contraditório como menciona Camões ou é ridículo como diz Fernando Pessoa?Particularmente, acho que talvez, seja incompleto mais que completo...é inacabado...Em todos os romances que leio, histórias que escuto e filmes que vejo... os amores não acabam bem... as pessoas não casam com seus amados... fica tudo muito interminável... um passado que não passou... um fim que não se findou... um amor que não acabou.Mas estas mesmas pessoas, levam por toda a sua vida, em segredo, o amor inacabado, o nome que ficou gravado, o beijo insaciável.E a pergunta que fica é: O que é o amor?Que chega e não pede licença. Que se aloja como uma doença.Que as vezes entra e não fica, mas que com certeza todos o vivem por uma vida.