Folheando o jornal, lá estava. A foto da criança africana, faminta, como tantas que vemos. Tantas que nós, embrutecidos, já as olhamos sem estremecer. Mas nessa criança havia algo mais. Os olhos. Aqueles olhos - úmidos, negros, imensos - tinham a força de uma lagoa ou de um oceano inteiro. Brilhavam espetaculares e transmitiam uma sensação não de horror ou tristeza, o que era espantoso, mas de luta feroz, quase de poder. Porque eram réstia de vida. Como se a alma daquela criança, aprisionada no corpo decrépito, ali tivesse cavado sua última trincheira.
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